A Inteligência Artificial começa a transformar a auditoria independente. Ferramentas capazes de analisar grandes volumes de dados, identificar padrões incomuns e selecionar transações de maior risco permitem ao auditor ampliar significativamente o alcance de seus procedimentos.

Em determinadas áreas, a análise deixa de estar restrita a pequenas amostras e pode alcançar praticamente toda uma população de transações, identificando lançamentos atípicos, operações próximas ao encerramento do exercício, alterações incomuns em fornecedores ou comportamentos incompatíveis com o histórico da companhia.

A IA também cria novos riscos de auditoria

As próprias companhias utilizam algoritmos para concessão de crédito, projeções, precificação, cálculo de provisões e outras estimativas que podem produzir efeitos relevantes nas demonstrações financeiras. Surge então uma questão essencial: até que ponto o auditor pode confiar em um resultado produzido por um modelo cuja lógica nem sempre é inteiramente compreendida pela própria administração?

Nesse contexto, ganham importância os princípios da NBC TA 315, relativos à identificação e avaliação dos riscos de distorção relevante, e da NBC TA 500, quanto à obtenção de evidência de auditoria apropriada e suficiente.

Quando a própria auditoria usa IA

A situação torna-se ainda mais sensível quando a própria auditoria utiliza Inteligência Artificial. A tecnologia pode indicar uma anomalia ou sugerir determinada conclusão, mas não substitui o julgamento profissional. O auditor continua responsável pelos procedimentos executados e, sobretudo, pela opinião emitida.

Fraude: o desafio pode ser ainda maior

Na área de fraude, prevista especialmente na NBC TA 240, o desafio poderá ser ainda maior: a mesma tecnologia utilizada para identificar irregularidades também poderá ser empregada para produzir documentos falsos, transações artificiais e estruturas fraudulentas cada vez mais sofisticadas.

A IA muda o trabalho, não a responsabilidade

A IA provavelmente não substituirá o auditor. Mas certamente modificará seu trabalho.

A tecnologia poderá dizer onde procurar. Continuará cabendo ao auditor determinar o que encontrou, qual evidência é necessária e quais consequências isso produz para as demonstrações financeiras e para seu relatório.